quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Dia dos Direitos Humanos - 10 de dezembro

A Biblioteca da ESAR associa-se à comemoração com várias atividades:
Ler na Soares incluirá uma resenha da biografia de Aristides da Sousa Mendes.
Serão exibidos excertos de vários filmes na entrada da nossa escola.
À entrada da Biblioteca haverá um mural de denúncia de violações dos Direitos Humanos.
A comunidade educativa é convidada a participar com frases e ilustrações alusivas aos Direitos Humanos.
Deixam-se ainda as seguintes sugestões de leitura:




Para saber mais sobre os direitos humanos podem ainda consultar-se os links que se seguem:
http://www.unicef.pt/
www.humantrafficking.org
http://www.amnistia-internacional.pt
http://www.hrw.org/
http://www.unesco.org/new/en/unesco/events/education-events/
http://www.un.org/

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Amor de Perdição

A nossa Biblioteca junta-se à comemoração dos 150 anos da publicação da 1ª edição de Amor de Perdição , com a exposição de várias obras de Camilo Castelo Branco.
Para saber mais sobre as comemorações, que decorrem nos mais variados locais do país, é só seguir a ligação:
https://sites.google.com/site/150anosamordeperdicao/

Dia Nacional da Cultura Científica


A nossa Biblioteca celebra , a 24 de novembro, o Dia Nacional da Cultura Científica homenageando Rómulo de Carvalho, autor de Física Para o Povo, entre tantas outras obras de Divulgação Científica, Pedagogia e História da Ciência, não esquecendo que ele é também António Gedeão, o poeta que soube também fazer uma poesia pedagógica e científica.
Ora leiam!






     



44 Semanas, 44 poetas- semana 10

António Gedeão faz parte da memória poética de quase todos, e é sempre bom ouvir a Pedra Filosofal, para nos lembrarmos de que "o sonho comanda a vida".
Para sabermos mais sobre o poeta António Gedeão, alter-ego do pedagogo e divulgador científico Rómulo de Carvalho, basta seguir a ligação:
http://www.romulodecarvalho.net/Antonio-Gedeao.html

44 Semanas, 44 poetas- semana 9

    

Sobre Camilo Pessanha, poeta, professor de liceu, e juiz, que viveu grande parte da sua vida em Macau, podemos saber mais aqui:
http://cvc.instituto-camoes.pt/conhecer/exposicoes-virtuais/camilo-pessanha-uma-iconografia.html
Deixamos aqui um poema, publicado na sua obra Clepsidra, com uma sonoridade encantatória, um poema cujas palavras são pura música.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

44 Semanas, 44 poetas- semana 8


   

Esta semana na Biblioteca podem ler-se poemas de Augusto Gil.Podemos ficar a saber um pouco mais deste poeta nascido no Porto, nos anos setenta do século XIX, aqui: http://pt.wikipedia.org/wiki/Augusto_Gil

Epigrama cómico à perfídia
Imitação de Demódoco

No epigrama de Demódoco, a víbora morde um capadócio. Tomei a liberdade de alterar a narrativa do Poeta por me parecer que o arrevezado patronímico destoa fortemente em versos modernos, mesmo quando eles, como neste caso, intentam reflectir a beleza antiga.

A Teixeira de Carvalho 

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Manuel António Pina

  

Nunca mais o vamos ler na última página do JN, mas a sua poesia está sempre connosco, apesar da ironia.

D'Este Livro que vos Deixo


Eu não tenho vistas largas
Nem grande sabedoria
Mas dão-me as horas amargas
Lições de filosofia.

Há luta por mil doutrinas.

Se querem que o mundo ande,Façam das mil pequeninas
Uma só doutrina grande.

Tu, que tanto prometeste
enquanto nada podias,
hoje que podes esqueceste
tudo o que prometias...

Sei que pareço um ladrão...
mas há muitos que eu conheço
que, sem parecer o que são,
são aquilo que eu pareço.


Por que a vida me empurrou

caí na lama, e então...
tomei-lhe a cor, mas não sou
a lama que muitos são.





44 Semanas, 44 poetas- semana 6

A vida  de António Aleixo,poeta da primeira metade do séc. XX merece ser mais conhecida.
Podem fazê-lo através deste documentário.

Divina Comédia

Erguendo os braços para o céu distante 
E apostrofando os deuses invisíveis,
Os homens clamam: — «Deuses impassíveis,
A quem serve o destino triunfante,

Porque é que nos criastes?! Incessante
Corre o tempo e só gera, inestinguíveis,
Dor, pecado, ilusão, lutas horríveis,
N'um turbilhão cruel e delirante...

Pois não era melhor na paz clemente
Do nada e do que ainda não existe,
Ter ficado a dormir eternamente?

Porque é que para a dor nos evocastes?»
Mas os deuses, com voz inda mais triste,
Dizem: — «Homens! por que é que nos criastes?»

Antero de Quental, in Sonetos

44 Semanas, 44 poetas- semana 5

Poeta da Geração de 70, tal como Eça de Queirós, o açoriano Antero de Quental, que aqui surge  retratado por Columbano Bordalo Pinheiro, teve uma vida fascinante, que podem conhecer aqui: 


http://www.vidaslusofonas.pt/antero_de_quental.htm






Esta Gente- Ana Hatherly

Esta Gente / Essa Gente 


O que é preciso é gente 
gente com dente 
gente que tenha dente 
que mostre o dente 

Gente que não seja decente 
nem docente 
nem docemente 
nem delicodocemente 

Gente com mente 
com sã mente 
que sinta que não mente 
que sinta o dente são e a mente 

Gente que enterre o dente 
que fira de unha e dente 
e mostre o dente potente 
ao prepotente 

O que é preciso é gente 
que atire fora com essa gente 

Essa gente dominada por essa gente 
não sente como a gente 
não quer 
ser dominada por gente 

NENHUMA! 

A gente 
só é dominada por essa gente 
quando não sabe que é gente 


Ana Hatherly, in "Um Calculador de Improbabilidades"

Semana 4- Ana Hatherlly

A poesia de Ana Hatherly não respeita as fronteiras entre as artes. Ora vejam!

Semana 3- Almada Negreiros

Vale a pena ver e ouvir A Cena do Ódio numa recriação de Mário Viegas, da apresentação que dela fez o próprio Almada há quase um século.
Vale também a pena espreitar aqui:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Almada_Negreiros


Tomem lá do O'Neill!

E TINH’RRAZÃO

Anda, meu Silva, estuda-m’aleção,
vêsse-te instruz, rapaj, qu’ainstrução
é dosprito upão!
Ou querch ficar pra sempre inguenorantão?
Poin os olhos no Silva teu irmão.
Penssas talvês que não le custou, não?
Mas com’é qu’êl foi pdir aumentação
au patrão?
E tinh’rrazão…

44 semanas, 44 poetas

De Alexandre O'Neill, poeta destacado na segunda das 44 semanas, um Auto-Retrato.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Sonho

Sonho  

Teria passado a vida
atormentado e sozinho
se os sonhos me não viessem
mostrar qual é o caminho

umas vezes são de noite
outras em pleno de sol
com relâmpagos saltados
ou vagar de caracol

quem os manda não sei eu
se o nada que é tudo à vida
ou se eu os finjo a mim mesmo
para ser sem que decida.

Agostinho da Silva, in 'Poemas'

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Bem Vindos!

Decorre, no âmbito da iniciativa 44 semanas, 44 poetas,a semana dedicada a Agostinho da Silva. 
Sabem quem é?
Ora espreitem!

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Quadros da História de Portugal

Esta biblioteca recebeu do Ministro da Educação o livro Quadros da História de Portugal.

É  um belo álbum de ler e ver, publicado pela primeira vez em 1917 sob coordenação de Chagas Franco e João Soares e ilustrado por Alberto Sousa e Roque Gameiro.

A edição que temos disponível data de 2010 e tem Prefácio de Mário Soares e Introdução de Guilherme de Oliveira Martins.


Deixamos aqui uma pequena amostra das ilustrações que podem encontrar se abrirem o livro.



sexta-feira, 27 de abril de 2012

23 de abril - uma bela celebração

O dia mundial do livro  celebrou-se em grande cá na escola!

A feira do livro foi um sucesso: muitos passaram pelos auditórios e até as vendas superaram as expetativas, apesar da crise.







O escritor Richard Zimler encantou os alunos e professores que encheram o grande auditório para o ouvir e para conversar com ele. Houve risos, houve conversa, houve autógrafos. Que manhã bem passada!

Catálogo

O catálogo que acompanhou a exposição Só restará silêncio - There will be nothing but silence escultura- sculpture, de Isabel Cabral e Rodrigo Cabral, ambos ex-professores da nossa escola, foi-nos gentilmente oferecido pela galeria Serpente, onde a exposição  esteve patente ao público em setembro e outubro de 2011.

UM CONCERTO “SUI GENERIS” NA SOARES POR CAUSA DE UM FILME


Malik é cinema. E não é apenas Terrence. O Terrence Malick do filme “A Árvore da Vida”, o tão polémico quanto belo “Palma de Ouro” de Cannes do ano passado. Este Malik é Witthart Malik, cidadão naturalizado alemão a viver em Trier, bela cidade banhada pelo rio Mosela, afluente do Reno, mas natural de Kaliningrado, cidade da antiga Prússia oriental, hoje Rússia, cidade báltica de Königsberg, a terra onde nasceu, viveu e morreu I. Kant, o filósofo do Iluminismo, da libertação do Homem por meio da Razão Ilustrada, do “Sapere aude” (“Atreve-te a saber!”).
Pois Malik quis visitar uma filha actriz que se encontra a filmar na nossa capital uma película, com famosos como Jeremy Irons e Beatriz Batarda, tendo como realizador Bille August e baseando-se num romance de sucesso de Pascal Mercier de 2004. O “Comboio Nocturno para Lisboa” promete sucesso para o próximo ano, dando a conhecer ao mundo a Baixa lisboeta que Irons considera uma pérola paisagística e patrimonial. O velho pai carregou o seu cravo e viajou de carro, desde o Sarre, para nos brindar com belíssimas canções de J.S. Bach, numa manhã chuvosa de Abril, em pleno intervalo grande, semeando delicadezas, com uma placidez de alma mística que impressionou alunos e professores passantes naquele espaço central, à porta da Biblioteca da escola. A pontos de alguns lhe solicitarem um registo mais longo e detalhado, cumprindo peça mais completa, uma sonata, uma fuga, exigência que logo exultou esse encantador de caminhos, de encruzilhadas e de igrejas que vai, por todos os mundos fora, sem cuidar de quaisquer “cachets”, promovendo a espiritualização das almas, reconfortando, com esse remédio santo, tantos espíritos inquietos e ameaçados pelas crises, pelos mercados, pelas imposições orçamentais de todas as “troikas” deste mundo. Profeta cósmico, arauto duma música que o progresso científico enviou para o espaço cósmico, na sonda não tripulada Pioneer-10!
Quero agradecer-te, velho Malik, exímio artista e executante virtuoso, alemão “de empréstimo”, compatriota de filósofos eminentes que revolucionaram as antigas cosmovisões, de Kant a Hegel, de Marx a Feuerbach, de Nietzsche e a Heidegger, para fixar somente alguns nomes mais sonantes, por nos trazeres a nobreza da tua arte. “Porque é a música mais bela de mundo!” – disseste-o aos alunos que te desafiaram/provocaram com esse tipo de perguntas um tanto tontas “porquê Bach?” – Porque a música é aquela forma simbólica que está mais próxima do nosso inconsciente, aí onde se tece, disseram-nos Freud e Lévi-Strauss, o núcleo central da verdade humana. Muito obrigado pela tua generosidade, presente oferecido ao nosso meio artístico e juvenil!
José Melo ( prof. de Filosofia da EASR)

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Hiroshima, mon amour

O ciclo Seis meses, sete filmes prossegue na próxima quinta-feira, 26 de abril com a projeção de Hiroshima, meu amor, apresentado pelo professor José Melo.

Realizado por Alain Resnais, com argumento de Marguerite Duras, o filme é de 1959.






O livro de  Marguerite Duras  com o mesmo título, de que  se retirou a citação seguinte, é uma bela leitura!

"voltar a ver-te hoje não é ver-te de novo. Em tão pouco tempo não se vêem de novo as pessoas"

23 de abril - dia mundial do livro




Às 10h30, Richard Zimler proferirá uma conferência no grande auditório sobre a escrita do romance histórico.
Quem tem livros de Richard Zimler poderá pedir-lhe que os autografe.
Quem não tem, pode comprar um livro do autor,  no momento, ou na Feira do Livro que vai decorrer no pequeno auditório das 10h às 20h onde haverá muitos outros livros de autores de língua inglesa, francesa e espanhola.
Quem não quiser comprar, pode ler ou requisitar na biblioteca as seguintes obras do autor:

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Revistas

Já podemos folhear (e ler) a revista Umbigo

http://www.umbigomagazine.com/um/

E ainda Descubrir el  ARTE

 Venham lá meter o nariz onde são chamados e cheirá-las e senti-las!

sexta-feira, 23 de março de 2012

Ritmo e poesia!

O dia mundial da poesia foi assinalado na biblioteca convidando toda a comunidade escolar a participar com uma frase alusiva à poesia ou um poema.
Vejam o que um anónimo deixou.

"Ritmo e Poesia!

Só quando as portas da percepção estiverem limpas, o homem verá as coisas como elas são: Infinitas!"

quarta-feira, 21 de março de 2012

Viva a Poesia!

Se houvesse degraus na terra e tivesse anéis o céu,
eu subiria os degraus e aos anéis me prenderia.
No céu podia tecer uma nuvem toda negra.
E que nevasse, e chovesse e houvesse luz nas montanhas,
e à porta do meu amor o ouro se acumulasse.


Beijei uma boca vermelha e a minha boca tingiu-se,
levei um lenço à boca e o lenço fez-se vermelho.
Fui lavá-lo na ribeira e a água tornou-se rubra,
e a fímbria do mar, e o meio do mar,
e vermelhas se volveram as asas da águia
que desceu para beber,
e metade do sol e a lua inteira se tornaram vermelhas.

Maldito seja quem atirou uma maçã para o outro mundo.
Uma maçã, uma mantilha de ouro e uma espada de prata.
Correram os rapazes à procura da espada,
e as raparigas correram à procura da mantilha,
e correram, correram as crianças à procura da maçã.

poema de Herberto Helder, imagem de Breughel

sexta-feira, 16 de março de 2012

A Evolução do Traje: Exposição

O traje e as profissões é o tema de mais um conjunto de imagens que se encontram expostas na nossa Biblioteca para complementar a exposição de postais: A evolução do traje ao longo dos tempos.
Alguns dos desenhos agora expostos são de grandes artistas portugueses, nomeadamente  Roque Gameiro e Rafael Bordalo Pinheiro.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Seis Meses Sete Filmes

Na passada quinta-feira, dia 8 de março, celebrou-se o Dia Internacional da Mulher com a apresentação do filme Shirin do realizador iraniano Abbas Kiarostami pela professora Margarida Mouta.

Na próxima quinta, antes da projeção de The Misfits (Os Inadaptados), de John Huston, que será apresentado pelo professor Orlando Falcão, teremos ocasião de ver uma série de fotografias tiradas por profissionais da agência Magnum durante as filmagens.
O filme de 1961 que tem argumento do  dramaturgo Arthur Miller e conta com um trio de estrelas na interpretação foi  muito aclamado pela crítica.

Sinais de Fogo


O romance, inacabado, foi publicado postumamente em 1979.
A ação decorre no espaço físico da Figueira da Foz, durante o tempo histórico da Guerra Civil de Espanha e tem como personagem principal  um rapaz, Jorge, oriundo da média burguesia lisboeta que, durante umas férias de Verão vai compreendendo o mundo e descobrindo, entre muitas outras coisas, a poesia.

"Sinais de Fogo

Sinais de fogo, os homens se despedem,
exaustos e tranquilos, destas cinzas frias.
E o vento que essas  cinzas nos dispersa
não é de nós, mas é quem reacende
outros sinais ardendo na distância
um breve instante, gestos e palavras
ansiosas brasas que se apagam logo."




sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

O carteiro toca sempre duas vezes


Na sequência deste filme, realizado em 1946 por Tay Garnett, a atriz principal, Lana Turmer, converteu-se numa das primeiras divas do cinema e do "star-system" americano.

Este filme tornou-se o exemplo paradigmático do filme negro americano e deu origem a um remake, com o mesmo nome, em 1981, realizado por Bob Rafelson e protagonizado por Jessica Lange e Jack Nicholson.

O filme de Tay Garnett  foi realizado em 1946, baseado no romance de James M. Cain, The postman always rings twice, tal como o Obsessão, filme realizado em 1943,por Luchino Visconti.

Ciclo de Tertúlias de Filosofia

Um grupo de ex-alunos e professores de Filosofia da nossa Escola organizam um ciclo de debates com o objetivo de discutir a arte num contexto amplo, articulando-a com alguns temas sociológicos e políticos. Estão já agendados os dois primeiros debates, ambos no Grande Auditório às 15h15m.

15 de fevereiro

Professor Sousa Dias apresenta:
Para que serve a Filosofia numa escola artística?
Moderador: Luís Monteiro

5 de março
Professor Ângelo Couto apresenta:
De que é que Marx é ainda o nome?
Moderador: Fábio Ramuni

Entre Florença e Guernica


Entre Florença e Guernica, de António Quadros Ferreira é o Livro da Semana.


"O sentido do íntimo, ou da intimidade, próprio da especificidade de cada ser humano, é compatível com o sentido do monumental, próprio da arquitectura e da perspectiva." (pág.34)


"Em Veneza, a linha de horizonte é a linha que separa a paisagem das figuras."(pág.47)


"Guernica significa também a tangência das formas conhecidas e não conhecidas num microcosmos histórico tornado pela história da arte em consciência contemporânea."(pág.195)



sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

A PROPÓSITO DO INÍCIO DO CICLO DE CINEMA NA SOARES “SEIS MESES, SETE FILMES” ACTIVIDADE DO ÂMBITO DA BIBLIOTECA


Sem me querer alongar, quero deixar a minha modesta homenagem à iniciativa e ao cinema, fazendo votos para que venham até às próximas sessões todos os que se revirem nas palavras que deixo no texto que escrevi na Páscoa de 2009 e que foi publicado, salvo erro, no Blogue “O Caniço da Soares”. Um abraço a todos os interventivos espectadores do magnífico filme “A Palavra”/ Ordet de Carl Th. Dreyer que iniciou “a temporada”.

O CINEMA PARAÍSO “mora” em VILA NOVA DE MILFONTES

E não se trata de nenhum Giuseppe Tornatore , imortalizando o “seu” Alfredo e o “seu” Totó/ Salvatore ou a sua inesquecível Elena, numa pequena, pobre e ignorada terrinha do sul de Itália da II Guerra e do após-guerra…

foto de Luís Guerreiro  CM de Odemira
Mas há nele o mesmo brilhozinho nos olhos, igual olhar apaixonado enquanto explica os truques, os desenrascanços, as mil e uma formas de espalhar, pelas recônditas aldeias alentejanas, o seu amor generoso pela “sétima arte”. António Feliciano é um septuagenário muito bem conservado que se afirma capaz de celebrar os seus 50 anos de cinema no próximo Dezembro de 2011, “se lá chegar”…E haverá de, pois com certeza. Fundou há mais de 30 anos um cineclube em Odemira que já fechou. E nem admira: hoje compra-se DVD’s a retalho, pirateados e por tuta e meia, em feiras, às escâncaras!

O meu conhecimento deste magnifico “achado” veio das mini-férias da Páscoa em Vila Nova de Milfontes, mendigando um pouco de sol, um pouco de mar azul, nas lonjuras quilométricas de uma luminosidade de andorinhas. Ali, onde a pretexto da Feira de Turismo, pequena mostra dos produtos da região, dos vinhos às ervas, do turismo rural ao artesanato e à gastronomia, há cante, há burricadas, animação de rua, teatro e cinema ao ar livre. E é deste que se trata agora. No largozinho da Vila, projectando na frontaria da velha igreja matriz azul e branca, onde se colocou um largo pano branco a servir de ecrã, e logo após o sol-pôr, com umas cadeiras de plástico para quem quiser “entrar” ou “ficar”, eis os filmes que valem a pena. Para quem teima desafiar os frios da noite primaveril ou passa rua abaixo e deita o olho espantado pelo insólito da cena, ou. Na Sexta-feira Santa o “Fame” e no Sábado “Julie & Júlia”,com essa cada vez mais prodigiosa Meryl Streep. Tudo muito profano e distante da quadra litúrgica ou talvez não! Que noutras épocas se haveria de passar algum dos grandes êxitos, em cinemaskope, de Cecil B. DeMille,”Os 10 Mandamentos”, obrigatórios na Semana Santa, ou o inevitável “Ben-Hur”, com um Charlton Heston, de músculos de aço, pronto a salvar o seu povo eleito!

Proprietário de uma sala (“mono-sala”, como gosta de frisar, para se distanciar do conceito actual das salas multiplex instaladas nos centros comerciais que têm vindo a crescer como cogumelos por este país fora), o Cinema Girasol, onde promove sessões comerciais, com bilhetes ao custo de 4 euros, em ambiente climatizado, confortável e sempre acolhedor para o cinéfilo, seja turista, seja filho da terra, o amigo Feliciano é um verdadeiro “Senhor Cinema”. Não só porque a sua conversa deixa depreender uma vastíssima cultura cinematográfica, como se lhe desenham constelações de metáforas no rosto,e nele se vão construindo, de súbito, os estúdios de uma qualquer Cinecittà ou de uma Paramount. Ele vive e respira a sétima arte e preocupa-se com o seu futuro, considerando que os custos hão-de impedir a generalização do 3D e que as salas de bairro estão condenadas pela voragem do vídeo e dos novos modelos de tv-cabo. E atreve-se, contra ventos e marés, a ser uma espécie de ONG (organização não-governamental) do cinema, com a sua carrinha de projeccionista, onde transporta toda a parafernália que usa por essas aldeias e vilas Alentejo fora, em dias de feira ou de romaria, crianças à borla, velhos desdentados e tristes, mendigando imagens de um sorriso ou de algum beijo jovem há muito perdido! Como me saltou à lembrança, por razões de proximidade geográfica e doutras, o teatro La Barraca de Federico Garcia Lorca,saltaricando de terra em terra.

Mas volto à carga porque, como diz Gilles Lipovetsky e Jean Serroy, em “Ecrã Global”: «A arte do cinema é, primeiro e antes de tudo, uma arte de consumo de massas, sem outra ambição que não seja a de divertir, de dar prazer, de permitir uma evasão fácil e acessível a todos, ao contrário das obras vanguardistas, herméticas e provocadoras , destinadas a revolucionar o velho mundo para fazer nascer o “homem novo”. O objectivo é oferecer novidades de produção sistemática que sejam acessíveis e possam distrair o maior número de pessoas possível. É aí, precisamente, que se encontra a modernidade irredutível do cinema.» (pgs. 38/9, Ed. 70).

Assim sendo, caro amigo Feliciano, continue o seu projecto existencial, essa sua missão laica de espalhar a “fé cinéfila” numa actividade que ou entra pela vida dentro ou cuja dimensão forma com ela uma tal simbiose que só o Cinema Paraíso foi capaz de evidenciar na perfeição mais absoluta. Como sumo-sacerdote (no bom sentido, entenda-se), invejo-lhe o facto de ter já alguns aprendizes que lhe seguem os passos e lhe hão-de continuar a obra. Porque tenho para mim, em segredo, que a sétima arte foi, é e será sempre uma “fábrica de sonhos” que nunca abrirá falência, glosando a repetida fórmula shakespeariana “We are such stuff as the dreams are made on” (Hamlet).

José Melo (prof. de Filosofia na Escola Artística Soares dos Reis – Porto)

domingo, 29 de janeiro de 2012

6 Meses 7 Filmes


Dois sonetos do livro da semana

Amor é fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói, e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
é um andar solitário entre a gente;
é nunca contentar-se de contente;
é um cuidar que ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade;
é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor
nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor?


Transforma-se o amador na cousa amada,
Por virtude do muito imaginar;
Não tenho, logo, mais que desejar,
Pois em mim tenho a parte desejada.
  
Se nela está minha alma transformada,
Que mais deseja o corpo de alcançar?
Em si somente pode descansar,
Pois consigo tal alma está ligada.

Mas esta linda e pura semidéia,
Que, como o acidente em seu sujeito,
Assim com a alma minha se conforma,

Está no pensamento como idéia;
E o vivo e puro amor de que sou feito,
Como a matéria simples, busca a forma.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Dinâmicas-Magazine

Já foi lançado o Nº 0 do magazine Dinâmicas  cujo objetivo é partilhar cum pouco da cultura do Design e também o que de melhor se faz na área do Design de Produto da EASR.

Para além do formato digital, também está disponível em formato papel, e tem o custo de 15€. Os interessados poderão fazer a requisição do mesmo através do email dinamicas@essr.net.



Ser Voluntário; Ser Solidário; Abraçar uma causa

A palestra que decorrerá às 18h30 de 27 de fevereiro, no Pequeno Auditório, pode servir de inspiração para participares no concurso: Eu conto.

Será uma momento de partilha de experiências vividas por voluntários de algumas instituições de solidariedade social.

Concurso «Eu Conto!»

Entre 1 e 31 de março, no âmbito da Semana da Leitura está aberto  a todos os alunos um concurso para criação de um conto ou ilustração de uma história  subordinado ao tema: Cooperação/  Solidariedade. 
Consulta o Regulamento do Concurso
 


Dormir + para ler melhor



Considerando-se a relação dos benefícios que a qualidade de sono de crianças e jovens traz para que leiam melhor e aumentem o seu sucesso escolar, o projeto Ler+ organizará sessões de formação/informação para docentes.
Inscrições e mais informações  aqui: 

Histórias da Ajudaris

Pelas 15h30 do dia 31 de janeiro, no Pequeno Auditório, será inaugurada a exposição das ilustrações originais do livro  da Ajudaris Pequenos gestos Grandes corações, com a presença de alguns ilustradores que foram alunos da nossa escola.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Seis meses, sete filmes

Com coordenação do professor Orlando Falcão, vai decorrer no pequeno auditório um ciclo de cinema.

O primeiro filme, A Palavra, de Carl Dreyer , apresentado por Paulo Teixeira de Sousa, será exibido a 26 de janeiro, pelas 21h30.

O filme  rodado entre 1954 e 1955, é baseado numa peça de Kaj Munk, um autor dinamarquês, tal como o realizador, e venceu o Leão de Ouro da Bienal de Veneza do ano em que foi terminado.

Ordet, título original, narra a preto e branco, um acontecimento excepcional na vida de um velho lavrador dinamarquês,  revelando a insegurança do indivíduo face à razão e à fé.

Carl Dreyer era um grande admirador de Vilhelm Hammershøi, pintor seu compatriota da viragem do séc XIX, e a crítica refere a influência da obra  deste artista plástico nos cenários do filme.



sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Alargar Horizontes

Agradecemos ao dr. Sérgio Coutinho o trabalho dos últimos anos na criação e manutenção do blogue desta biblioteca escolar, que pode ser visto aqui:
http://alargarhorizontes.blogspot.com/