sexta-feira, 11 de maio de 2018

DIA 21 DE MARÇO - DIA MUNDIAL DA POESIA


O Dia Mundial da Poesia comemora a diversidade do diálogo, a livre criação de ideias através das palavras, da criatividade e da inovação. Para assinalar este dia,  21 de março, em que se  celebra também o Dia Mundial da Árvore, a BE partilha um poema de António Gedeão:

Poema das Árvores

As árvores crescem sós. E a sós florescem.
Começam por ser nada. Pouco a pouco
se levantam do chão, se alteiam palmo a palmo.

Crescendo deitam ramos, e os ramos outros ramos,
e deles nascem folhas, e as folhas multiplicam-se.

Depois, por entre as folhas, vão-se esboçando as flores,
e então crescem as flores, e as flores produzem frutos,
e os frutos dão sementes,
e as sementes preparam novas árvores.

E tudo sempre a sós, a sós consigo mesmas.
Sem verem, sem ouvirem, sem falarem.
Sós.
De dia e de noite.
Sempre sós.

Os animais são outra coisa.
Contactam-se, penetram-se, trespassam-se,
fazem amor e ódio, e vão à vida
como se nada fosse.

As árvores, não.
Solitárias, as árvores
exauram terra e sol silenciosamente.
Não pensam, não suspiram, não se queixam.
Estendem os braços como se implorassem;
com o vento soltam ais como se suspirassem;
e gemem, mas a queixa não é sua.

Sós, sempre sós.
Nas planícies, nos montes, nas florestas,
A crescer e a florir sem consciência.
Virtude vegetal viver a sós
E entretanto dar flores.

António Gedeão

FORA DE PORTAS

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terça-feira, 8 de maio de 2018

FOLHETO_MAIO


MAIO - AUTOR DO MÊS

Foi em Lisboa, em Maio de 1971, que Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa decidiram escrever um livro a seis mãos, a partir do romance  Lettres Portugaises,  tradução anónima de cinco cartas de amor da jovem freira, Mariana Alcoforado, a um oficial francês,  ao qual deram o nome de Novas Cartas Portuguesas.

Publicado em 1972, o livro foi considerado de “conteúdo insanavelmente pornográfico e atentatório da moral pública”, recolhido e destruído pela censura.  A sua apreensão e o processo instaurado às três autoras   provocou uma onda de apoio, dentro e fora do país, com protestos e manifestações à causa das “Três Marias”. A conclusão do caso ocorreu já depois do 25 de Abril de 1974, tendo as três escritoras sido absolvidas. A BE resolveu homenageá-las com uma pequena mostra.